Questiono-me se isso é possível: há democracia dentro da política de pequeno porte? A imagem do coronelismo é a primeira que me vem na cabeça. Ainda mais quando se vê nas casas, lojas e vários estabelecimentos (exceto nos públicos) as bandeiras das cores bipolares dos partidos políticos dos candidatos. Coronéis que em apenas uma ligação consegue "convencer" quem quer que seja sobre fazer ou deixar de fazer algo ou algum trabalho.
Democracia envolve participação.
Como contar com a participação de quem nem sabe o que está fazendo no mundo?
Quem não entende do assunto não tem opnião a externar! Por isso o silêncio dos populares diante de assuntos como orçamento público, controle social, etc. Se não sei como funciona o orçamento, como vou reinvidicar que os 15% da arrecadação sejam direcionados para a saúde? E ainda, como colocar na cabeça do contador do município que o pagamento com os funcionários da saúde não são pagos com os 15% da saúde e sim com os 54% que devem ser direcionados para o pagamento de pessoal? Será preciso usar o exemplo dos 25% da educação?
Qual seria o meu papel para a consolidação ou a efetivação da democracia num município desse? Eu sei que a Política de Pequeno Porte tem suas nuances impregnadas em outros portes também, Sarandi que o diga! Não é fácil lutar contra esse tipo de política que se manifesta pouco democrática... Um exemplo típico é a briga de um prefeito que não quis envolver-se numa eleição de associação de municípios (no qual ele era vice-presidente, e na ausência do presidente ele daria o voto final) para não dar o voto de minerva, ou seja, para não se "manifestar". Hoje ele é o presidente... Não é de entender... é política. Hoje ele assina e pronto.
Ou seja, pra finalizar essa reflexão acerca da política de pequeno porte I e II - democracia, eu só digo o seguinte: na hora de assinar documentos de interesse democrático (e que esse tipo de político não entende) simplesmente libera a tinta da caneta e assina, mas quando se trata de liberar cesta básica, pagar contas, asfaltar bairro marginal, pagar passagens, facilitar licitação, criar intrigas, etc... a decisão é sempre visando o voto das próximas eleições... criar uma boa imagem... e se possível, vincula a "bondade" à sua cor partidária... assim é fácil fácil fácil.
A minha posição diante disso é sempre a de tentar fazer a comunidade saber o que acontece, o controle social monitorando, e a gente tentando mostrar que dá pra ser transparente sem fazer cagada. Mas nada disso vai fazer com que a educação dos que pagam impostos seja suficiente para entender que receber os "benefícios" é apenas enganação, e uma forma de mantê-los acreditando que é de cesta básica que vive a comunidade burra e ignorante.



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